A vaca e a morte

por Juliana Damazio

Vi, no caminho que margeia o pasto e nos leva até a casa da chácara, uma vaca-fantasma. Trazia na testa a marca da arma que a abatera na manhã daquele mesmo dia.

Apesar da excessiva e incontornável violência que marcara definitivamente seu corpo ela  não foi embora daqui no momento em que morreu, dado o imenso amor que seu couro sentia por aqueles pastos.

 

Uma vaca-metafísica, se questionando sobre o sentido daquilo que acabara de lhe acontecer.

Uma vaca com medo disso a que chamamos morte.

Vaca-espírito vagando entre suas duas existências,

mundo-pasto,

mundo-breu.

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