Viver é muito perigoso…

por Juliana Damazio

NONADA

Esta foto faz parte da minha primeira tentativa de aprender a fotografar. Dentre os vários exercícios, como manusear corretamente a máquina, medir a luz ou ajustar o foco, considero que o esforço primordial consiste em aprender a olhar. Olhar as coisas e suas disposições no mundo, olhar as situações que as pessoas nos oferecem, olhar para o óbvio, olhar para o que é delicado e está escondido por aí, olhar as cores que berram, as formas. Ainda tenho os olhos embaçados e caminho desatenta entre milhares de possibilidades de cliques, e por isso mesmo insisto ainda mais em treinar meu olhar, em perceber, em forçar a minha atenção. Tal exercício gera lentamente seus frutos. Talvez eu ainda não consiga ter “o” olhar para as coisas que estão aí no mundo, mas descobri, através desta fotografia de galhos secos e céu azul, NONADA, que começo a olhar para coisas que estão dentro de mim e que estas coisas direcionam meu olhar. Em outras palavras, olho para aquilo que está dentro de mim. Esta foto é Nonada e Travessia. Esta foto é o romance de Diadorim e Riobaldo, paixões sofridas, esta foto é saudade, palavra doída, esta foto é o sertão. Sinto que o sertão está dentro de mim e  o ofereço a todos vocês.

 

 

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