A vaca e a morte
by Juliana Damazio
Vi, no caminho que margeia o pasto e nos leva até a casa da chácara, uma vaca-fantasma. Trazia na testa a marca da arma que a abatera na manhã daquele mesmo dia.
Apesar da excessiva e incontornável violência que marcara definitivamente seu corpo ela não foi embora daqui no momento em que morreu, dado o imenso amor que seu couro sentia por aqueles pastos.
Uma vaca-metafísica, se questionando sobre o sentido daquilo que acabara de lhe acontecer.
Uma vaca com medo disso a que chamamos morte.
Vaca-espírito vagando entre suas duas existências,
mundo-pasto,
mundo-breu.

Adoro suas reflexões! Gosto como você mescla o cotidiano com a ilação!!! Genial.